Cagliostro: o alquimista que enganou reis ou o homem que sabia coisas que não deveria saber
Nascido Giuseppe Balsamo, filho de um mercador falido de Palermo, ele virou conde, foi recebido por reis e morreu nas masmorras de San Leo.
- Quando
- 1743–1795
- Onde
- Europa, de Palermo a San Leo (Itália)
- Situação
- Em debate explicações concorrentes, sem consenso
Por Redação Ecos do Passado. Publicado em 2 de novembro de 2026. Leitura de 3 min.
Alessandro di Cagliostro, nascido Giuseppe Balsamo em Palermo, em 1743, segundo os documentos, foi condenado à morte pela Inquisição em 1791 por heresia, maçonaria e magia. A pena foi comutada para prisão perpétua. Morreu nas masmorras de San Leo, na Itália, em 1795.
Entre o nascimento e a morte, houve um intervalo de cinquenta anos durante os quais esse filho de um mercador siciliano falido circulou pelas cortes mais importantes da Europa usando o título de conde, teria curado doenças que médicos não conseguiam tratar, afirmou ter centenas de anos de idade, fundou lojas da Maçonaria Egípcia em dezenas de cidades, foi recebido por reis e rainhas e se envolveu no Caso do Colar, o escândalo que contribuiu para destruir a reputação de Maria Antonieta e preparar o terreno psicológico para a Revolução Francesa.
A questão sobre Cagliostro não é se ele era carismático e extraordinariamente inteligente. Claramente era. A questão é: havia algo real por trás da performance?
O que as testemunhas registraram
As testemunhas que descreveram Cagliostro em ação são numerosas e incluem pessoas de credibilidade considerável para a época: nobres, médicos, funcionários do governo.
O que descrevem: curas de doenças em pacientes que os médicos já tinham desenganado, por meio de métodos que incluíam plantas medicinais incomuns e técnicas que hoje reconheceríamos como hipnose e sugestão terapêutica. Produção em laboratório de substâncias químicas de propriedades incomuns, demonstradas para testemunhas. Criação de rituais maçônicos que incluíam práticas que seus contemporâneos consideravam genuinamente eficazes para induzir estados alterados de consciência.
Goethe, que investigou pessoalmente as alegações de Cagliostro durante uma viagem à Sicília em 1787, escreveu sobre suas descobertas com ceticismo, mas sem conseguir desmontar completamente a figura. É o mesmo ceticismo produtivo que os pesquisadores modernos aplicam ao Manuscrito Voynich: impossível confirmar, impossível desmentir, impossível ignorar. A família Balsamo, em Palermo, confirmou a identidade, mas os detalhes da transformação do menino siciliano no conde de Cagliostro permaneceram obscuros.

O que a Inquisição encontrou
O julgamento de Cagliostro pela Inquisição Romana produziu documentos extensos. Os inquisidores eram homens cultos e metódicos, e seus registros revelam tanto o que encontraram quanto o que não encontraram.
Encontraram: evidência de práticas maçônicas (crime suficiente para a condenação). Evidência de que ele havia criado rituais religiosos não autorizados. Correspondência que sugeria contatos com personagens suspeitos em toda a Europa.
Não encontraram: evidência de que as curas eram fraudulentas (vários casos documentados eram de pessoas que haviam melhorado). Não encontraram a fortuna que ele deveria ter acumulado se fosse um charlatão de sucesso: Cagliostro morreu na prisão sem recursos. Não encontraram evidência conclusiva de quem eram seus mentores nem de quem lhe havia ensinado o que sabia.
A Inquisição obteve uma confissão, mas confissões feitas sob as condições de interrogatório do século XVIII têm valor probatório limitado.

Cagliostro permanece uma figura que o século XVIII não conseguiu enquadrar por completo, e o século XXI também não. Ele não estava sozinho: Nicolas Flamel, quatro séculos antes, havia feito o mesmo com o século XIV, e Nikola Tesla, um século depois, faria o mesmo com o século XX.
Para outros personagens do mesmo período que desafiaram classificações, leia sobre o conde de Saint-Germain, com quem Cagliostro teria se encontrado pessoalmente, e sobre Rasputin, que exerceu influência semelhante um século depois. Para as raízes medievais da mesma tradição alquímica, veja Nicolas Flamel.